O setor privado está menos otimista que o governo, em relação às exportações de carnes em 2010. Enquanto o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento prevê crescimento em torno de 5%, a Associaçao Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) pondera expansão entre 2% a 3% este ano. - Tudo vai depender da variação do dólar e da abertura de mercados que o Brasil alcançar - disse hoje, Pedro Camargo, em reunião de trabalho que teve no ministério. Na ocasião, o secretário de Relações Internacionais, Célio Porto, falou sobre a política de exportações da pasta, com empresários do setor. Segundo Porto, a expectativa é de que este ano deverá ser melhor que 2009, para o setor agroexportador, que teve excelente desempenho em 2008, em relação a preços e quantidades. Ele disse que o Brasil vai trabalhar em 2010 para mostrar a países como o Japão, a Coréia e os EUA, que a carne bovina brasileira é boa e está em condições de atender às exigências desses mercados.
A prioridade, no momento, é promover a abertura de mercados consumidores importantes como o Japão, a Coréia e a África do Sul, e de aumentar as vendas para os EUA, outro grande mercado consumidor e também exportador. O presidente da Abiec afirmou que o setor está há mais de três anos trabalhando pela abertura de mercados, especialmente para a carne suína, e poderá começar a ver os resultados dessa ação já neste ano. O maior revés sofrido pelo Brasil em relação às exportações de carne foi a decisão da Rússia em estabelecer cotas para o produto brasileiro. Camargo avaliou o sistema como "prejudicial ao Brasil". As perspectivas em relação à carne bovina são melhores, segundo ele, já que a Rússia reservou uma margem de 85% para compras externas, o que ele considerou ser favorável ao Brasil. O secretário de Relações Internacionais do ministério disse que a cota estabelecida pela Rússia para carnes de frango dobrou no ano passado, mas ainda é pouco para o Brasil, que exporta 40% do produto no mercado mundial. Porto afirmou que o Brasil vai continuar tentando aumentar as vendas para aquele país.
Fonte: Valor Econômico