A indústria de máquinas e equipamentos estima uma alta de 15% no faturamento deste ano. Este crescimento, no entanto, não será o bastante para recuperar as perdas acumuladas em 2009, quando o setor teve um faturamento de R$ 64 bilhões - o que representa uma queda 17,9% em relação a 2008. Ao descontar a inflação, a retração real é de 20%. Os dados foram divulgados hoje pela Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Os recuos mais acentuados ocorreram nos setores de máquinas e equipamentos para madeira (-53%), máquinas-ferramentas (-41,9%) e hidráulica e pneumática (-32,7%). Já os segmentos que mais avançaram no ano passado foram aqueles relacionados à indústria de infraestrutura e petróleo, com altas de 18,1% em bombas e motobombas, e de 2,6% para bens sob encomenda.
Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, observou que a indústria de máquinas e equipamentos foi um dos setores mais afetados pela crise financeira mundial, sobretudo por conta da queda da demanda externa e do real valorizado perante o dólar. As exportações, por exemplo, totalizaram R$ 7,6 bilhões. O desempenho foi 40,5% menor em relação a 2008. As importações, por sua vez, somaram R$ 18,7 bilhões, 14,3% abaixo ante o ano anterior. Com isso, balança comercial do setor teve um déficit de US$ 11,1 bilhões, com retração de 22,1% sobre 2008. A Abimaq também anunciou que, em 2009, o emprego teve uma queda de 3,7%, em relação ao ano anterior, com 233.938 pessoas contratadas. No último mês do ano passado, o faturamento da indústria de máquinas e equipamentos foi de R$ 6,3 bilhões, 0,6% superior a dezembro de 2008. Em relação a novembro de 2009, houve um crescimento de 7,3%. Segundo o presidente da Abimaq, o resultado de dezembro de 2009 foi obtido em grande parte em razão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que permitiu o financiamento de bens de capital a custos internacionais, de 4,5% ao ano. "Não fosse o PSI e a desoneração do IPI, a queda de 2009 seria pior", disse.
Fonte: Valor Econômico