Ainda que o país cresça 5,5% este ano, cerca de 650 mil trabalhadores qualificados e com experiência profissional não deverão encontrar colocação no mercado de trabalho, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Ipea projeta ainda um universo de 19,3 milhões de pessoas qualificadas para uma demanda potencial de 18,6 milhões de trabalhadores. Marcio Pochmann, presidente do Ipea, explica que parte desse contingente foi demitida durante a crise e ainda não encontrou trabalho: "Uma parcela importante trabalhava na indústria, que foi o setor mais atingido pela crise e ainda não se recuperou totalmente", afirmou.
A indústria deve ter um excedente de 145 mil trabalhadores qualificados no país, seguida pelo setor agrícola (122 mil). Outros setores, contudo, devem registrar escassez de trabalhadores, como construção civil (38,4 mil) e comércio (187 mil pessoas).
Para o economista Maurício Dias David, a falta de emprego qualificado é um dos problemas mais graves do modelo de desenvolvimento adotado pelo país nas últimas décadas. "O emprego no Brasil que está crescendo é o de baixa qualificação e auto-emprego. São falhas as estatísticas que mostraram que os trabalhadores formais passaram a ser maioria pela primeira vez em muitas décadas", criticou. O governo, segundo o economista, teria como exigir critérios de qualidade ao aceitar receber investimento estrangeiro direto (IED): "O IED que entra está olhando o lado financeiro, mais atraído pelos juros do que pelo dinamismo da economia. É uma variação do capital especulativo. Não há mecanismos de acompanhamento sobre capital que entra, algo que poderia ser facilmente feito", resumiu.
Fonte: Monitor Comercial