A velha justificativa do Banco Central (BC) para manter os juros elevados - a retomada da inflação, ainda que a FGV tenha detectado que, em junho, houve deflação de 0,38% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para a baixa renda - é veementemente contestada pelo economista César Medeiros, ex-professor da UFMG e integrante Conselho de Administração da Cemig. "Mantendo esta política monetária, o BC comete quatro delitos e o primeiro deles é justamente alimentar a inflação, pois, para não perder o ascendente mercado das faixas C, D e E, as empresas continuam investindo, mas, para manter a lucratividade, sobem os preços", argumenta. O segundo erro do BC, segundo Medeiros, é contribuir para a explosão do déficit externo, já que o dólar barato estimula importações. "Os juros altos promovem também uma distribuição de renda às avessas, pois favorecem rentistas, prejudicando o efeito do crédito, das transferências, do aumento do emprego e da renda". Para o economista, o quarto delito do BC é aumentar a dívida pública, cujo serviço retira recursos do investimento público em infra-estrutura, tirando competitividade da produção nacional. Medeiros analisou ainda os novos derivativos de moeda que a BM&FBovespa colocou no mercado, em 31 de maio, e, no primeiro mês de negociações, movimentaram R$ 1,5 bilhão. Há produtos referenciados no preço do dólar, do ouro, do café, do etanol e até do Ibovespa, o índice que espelha o movimento do mercado de ações brasileiro.
Para o economista, o resultado dessa liberalização financeira ainda maior será a transformação do real em moeda plenamente conversível. "Isto poderá levar o Brasil a um quadro semelhante ao da Europa, que se vê obrigada a adotar política monetária rígida e contenção dos déficits fiscais para manter a força do euro", disse, ponderando que os juros altos, que estimulam arbitragem, trazem valorização cambial, como está acontecendo com o real.
Fonte: Monitor Comercial