O mercado brasileiro de software ocupa a 12 ª colocação no ranking mundial, movimentando US$ 15,3 bilhões em 2009. Este resultado significa um saldo de 2,4% na comparação com o ano anterior. Do total, US$ 5,4 bilhões referem-se a softwares e US$ 9,9 bilhões a serviços, o equivalente a 1,70% e a 1,78% do mercado mundial, respectivamente. No mesmo período o mercado mundial de softwares e serviços registrou pequeno avanço de 0,89% e movimentou US$ 880 bilhões.
Os dados, divulgados pela Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), constam na 6ª edição da pesquisa "Mercado Brasileiro de Software - Panorama e Tendências", a pedido da International Data Corporation (IDC). O mercado mundial de Tecnologia da Informação apresentou desempenho inferior a 2008: US$ 1,43 trilhão em movimentações, com queda de 2,7% em relação ao ano anterior. A América Latina registrou o oposto: US$ 65 bilhões e crescimento de 6,5% no período.
O presidente da Abes, Gérson Schimitt, ressaltou que o destaue ficou por conta das exportações. Durante o período o país registrou avanço de 7%, montante equivalente a US$ 363 milhões. As vendas de licenças de software especificamente tiveram salto, segundo ele, de 12%.
- Consideramos esses valores um indício positivo da capacidade de reação do setor, confirmando um potencial muito grande a ser explorado fora do país. Mas em nossa avaliação, para alavancarmos as exportações, precisamos resolver problemas estruturais relacionados ao modelo setorial -, comentou, acrescentando que atualmente os governos são os maiores produtores e concorrentes do setor, não estimulam pesquisa e inovação.
De acordo com o executivo, o modelo de exportação defendido pelo governo baseia-se no crescimento das vendas de serviços em vez de apostar em inteligência empacotada, o que pode agravar ainda mais o contexto apresentado pelo IBGE, que estima a falta de aproximadamente 200 mil profissionais no setor e custos de mão-de-obra maiores que os principais concorrentes internacionais.
- Desse cenário decorre um perfil setorial de 94% de micro e pequenas empresas com condições que desfavorecem seu crescimento ou longevidade; uma balança setorial negativa - com tendência a piorar quando começar a se importar serviços mais baratos em outros países para ser competitivo no atual modelo setorial; e o desperdício de uma oportunidade estratégica de diferenciação de desenvolvimento apoiado no talento e criatividade brasileira.
Indústria nacional - Segundo estudo do IDC, atualmente o setor é composto por 8,5 mil empresas, das quais 76,5% dedicam-se ao desenvolvimento, distribuição e comercialização de softwares, formando uma cadeia de valor com grande potencial de expansão pela sua capilaridade no mercado interno. Assim como nos dois últimos anos, quase 50% da demanda registrada foi proveniente dos mercados financeiro e industrial. Na seqüência estão os segmentos de agroindústria, governo, comércio e serviços.
Segundo o IDC, as previsões para o segundo semestre de 2010 são positivas. O mercado total de tecnologia da informação brasileiro terá aumento estimado em 6,5%, acima da América Latina, com 6,3%, e do mercado mundial de TI, com 3,5%. Especificamente em relação a software e serviços, a indústria nacional alcançará 8,5% de crescimento.
Fonte: Monitor Comercial