De acordo com o IBGE, na passagem de abril para maio na série livre de efeitos sazonais, o número de ocupados na indústria aumentou 0,3% - o quinto mês consecutivo de crescimento do emprego industrial. Com relação a maio de 2009, o crescimento foi de 4,2% e, no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, 1,9%. No entanto, ao se comparar com de setembro de 2008, quando do agravamento da crise internacional, o nível dos ocupados na indústria ainda é 3,0% menor.
De acordo com o economista Paulo Jager, do Dieese, isto aponta um quadro de desaceleração. "Se a produção retomou o patamar pré-crise e o emprego não, é sinal de que houve ganho de produtividade. Isso permite o aumento da produção sem bater no limite de capacidade". Jager lembra que foram retirados os incentivos fiscais para a indústria automobilística e de bens duráveis. "Não é recomendável a política contracionista que vem sendo adotada pelo Banco Central (BC). Sobretudo porque a política monetária está na contramão do mundo", ponderou.
Para o economista, um exemplo do peso da base fraca de comparação é a projeção do FMI para o crescimento do PIB brasileiro em 2010 e 2011: respectivamente, 7,1% e 4,2%. "A partir do segundo semestre, a base de comparação será maior. Mas o BC resolveu se antecipar e já promete aumentar a taxa básica de juros (Selic) outra vez. Apesar do efeito da política monetária se dar em aproximadamente dois semestres, o efeito da alta dos juros nas expectativas dos empresários é imediato", finalizou.
Fonte: Agência Brasil