Apesar do fluxo de dólares continuar positivo em US$ 2,1 bilhões, na primeira quinzena de julho o Brasil registrou saída líquida de US$ 1,2 bilhão. O déficit ocorre logo após a saída recorde, registrada no mês de junho. Os dados do Banco Central mostram que de nada adiantou aumentar a taxa de juros: a saída dos recursos na semana passada foi liderada pelo segmento financeiro, cujo saldo negativo atingiu US$ 259 milhões. O valor foi gerado pela saída total de US$ 4,331 bilhões, superior ao ingresso de US$ 4,072 bilhões no período. No acumulado do mês, o fluxo financeiro amarga saída de US$ 662 milhões.
Para o economista Fernando Ferrari, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), seja qual for o presidente eleito haverá mudança na política cambial já no próximo ano. "Ou mais controle sobre os fluxos de capitais, ou alguma intervenção mais ativa do BC", disse, acrescentando que, em contexto de crise, sempre há repatriamento de capital "apesar do diferencial enorme em termos reais, não apenas entre os juros praticados no país, mas também ganhos de arbitragem no câmbio".
De acordo com Ferrari, ficou provado que a alta da taxa básica (Selic) foi "sem sentido", já que não evitou a fuga de capitais e a inflação já está voltando à meta. "O BC vai pagar esse preço mais adiante. Já existem sinalizações de que a economia não irá tão bem no próximo ano e as contas externas, que deverão fechar 2010 com déficit superior a US$ 50 bilhões, em 2011 poderão amargar US$ 80 bilhões negativos e aí o país passará a queimar reservas", alertou.
Fonte: Monitor Comercial