A proporção de peças e equipamentos nacionais usados na prospecção de petróleo pela Petrobras poderia ser maior. Cerca de 30% das peças e equipamentos que a estatal utiliza é nacional. No entanto, este percentual poderia pular para 80% caso houvesse uma política de governo. A opinião é do diretor executivo de Petróleo e Gás da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Alberto Machado, que participou na sexta-feira do seminário "Participação da Indústria Brasileira no setor de Petróleo e Gás", promovido pela entidade. Segundo ele, a produção nacional vem perdendo espaço para o produto estrangeiro nos últimos anos, mesmo com a exigência por parte da estatal de percentuais mínimos de manufaturados brasileiros nos equipamentos que compra. - Existem grandes itens que sozinhos já dão um percentual alto. Mas esses itens são de baixo valor agregado no que diz respeito a geração de emprego. De acordo com o engenheiro do departamento de Petróleo e Gás da Abimaq, Rogério Boeira, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) está desenvolvendo uma série de ações para aumentar a competitividade da indústria brasileira. Entre as medidas desenvolvidas está a criação de comitês regionais para promover a interação entre as empresas do setor e o mapeamento dessas companhias. Esse tipo de ação, explicou Boeira, permite a integração de diferentes componentes da cadeia produtiva, gerando mais eficiência e reduzindo custos.
Segundo o engenheiro, algumas vezes, o produto estrangeiro custa menos porque é vendido em "pacotes" com uma série de equipamentos e peças. Com a interação entre as empresas, a indústria nacional se tornaria capaz de utilizar a mesma estratégia de venda. Machado defende que, além disso, os contratos de venda sejam adaptados a realidade da indústria brasileira. - Quando você está fazendo um produto pela primeira vez, você tem o custo do investimento, custo do projeto e o custo do ajuste do processo.
Fonte: Monitor Comercial