Acompanhando já a atmosfera de Copa do Mundo, um estudo da Ernst & Young em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que a Copa no Brasil deverá gerar, até 2014, R$ 142,39 bilhões em investimentos diretos e indiretos para a economia brasileira, o que poderá atingir 55 atividades. Para José Carlos Pinto, sócio da Ernst & Young, “O campeonato terá um efeito multiplicador capaz de quintuplicar os investimentos diretos realizados para viabilizar o evento” – avalia. No estudo Brasil sustentável - impactos socioeconômicos da Copa do Mundo 2014, são analisadas 110 categorias de produtos e 10 perfis de renda e consumo da população brasileira. O professor de varejo da FGV e diretor da Associação Comercial do Rio, Daniel Plá disse que o comércio deve formar um estoque três vezes maior que neste ano, porque a disputa será no Brasil. Em caso de vitória da seleção brasileira, o reflexo seria prorrogado por mais três meses. “Seria como uma mágica para a economia: uma pessoa animada gasta muito mais” - observa Plá.
Efeitos são polêmicos
Para o professor Udesh Pillay, que estudou os efeitos da Copa, o evento, em geral, não traz muitos benefícios ao país que o sedia no que se refere à geração de riquezas. A expectativa de uma alta de 0,5% do PIB foi frustrada. Mas, na opinião dele, a África do Sul não se planejou como deveria para tirar o melhor proveito do possível da competição.No entanto, o Mundial na África do Sul foi considerado o mais bem-sucedido da história em termos econômicos pela Fifa: US$ 3,2 bilhões (R$ 5,6 bilhões) haviam sido arrecadados antes mesmo do primeiro jogo. Este valor, referente ao pagamento de direitos de transmissão dos jogos e de uso de marca e a contratos de propaganda e publicidade, superou em 50% o montante arrecadado quatro anos antes na Copa do Mundo da Alemanha (2006). - A Copa é, na verdade, uma catalisador de investimentos, por fazer com que o governo realmente aplique dinheiro em obras - avalia Pillay. Considerado o único legado que a Copa deixou no país sul-africano, o transporte teve melhorias claras, com mais de 11,7 bilhões de rands (R$ 2,8 bilhões) em investimentos. A reforma de estradas, a construção de aeroportos e a criação de uma rede de transporte coletivo têm tudo para mudar definitivamente a vida da população. Quanto ao turismo, as visitas à África do Sul durante os seis primeiros meses do ano chegaram a 1.020.321, segundo o Comitê Organizador da Copa, o que representa um aumento de 25% em relação ao ano anterior, em que chegaram 819.415 turistas durante o mesmo período.
Fonte: FGV