Os subitens do ICF Renda Atual, Acesso à Crédito, Perspectiva de Consumo e Momento para Duráveis apresentando queda, mesmo que nenhum se encontre abaixo do patamar de indiferença (índice 100), resultaram numa queda de -1,23% da intenção de consumo das famílias de Porto Velho na contramão da variação positiva da intenção de consumo das famílias, em nível nacional, que registrou um aumento de 0,3%, em julho. È bem verdade que, como em Porto Velho, o ICF Nacional representou uma freada no aquecimento dos três trimestres anteriores. Mas, as famílias de Porto Velho reagiram com mais vigor contra o aumento das taxas de juros e a maior restrição ao crédito e, no fim, porém, perceberam de maneira ainda menos positiva os níveis de emprego e renda do que o restante do país. Desta forma, a queda na perspectiva do consumo e do momento para duráveis, induziram a que caísse de 83% para 64,2% a quantidade dos chefes de famílias que consideram que deve haver melhoria da renda da família nos próximos seis meses o que parece indicar uma tendência a um consumo menor no futuro.
INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS- Porto Velho-Julho de 2010
|
INDICE
|
MAIO
|
JUNHO
|
JULHO
|
VARIAÇÃO
%
|
|
INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS
Emprego Atual
Perspectiva Profissional
Renda Atual
Acesso a Crédito
Nível de Consumo Atual
Perspectiva de Consumo
Momento para Duráveis
|
151,1
159,1
168,8
166,2
147,9
113,2
150,1
152,1
|
154,9
156,1
170,4
165,9
152,0
114,2
164,5
161,0
|
153,0
160,8
171,7
161,7
150,8
115,4
155,3
154,4
|
-1,23
3,01
0,76
-3,53
-0,79
1,05
-5,59
-4,10
|
Fonte: Pesquisa Direta CNC/Fecomércio/RO
Piorou o acesso ao crédito
Em junho eram 70,2% dos chefes de famílias que diziam que o acesso à crédito era mais fácil que no mesmo período do ano passado. Agora, em julho, este número caiu para 67,1% com o segmento com renda acima de 10 salários mínimos tendo uma leve queda de 77,3% que achavam o crédito mais fácil para 76%, de modo que é no corte abaixo, ou seja, nas famílias de menor renda que o crédito se tornou mais problemático caindo um pouco mais embora as empresas tenham tomado medidas para facilitar o crédito elastecendo os prazos de pagamentos. Ainda assim com uma queda de 4,1% na percepção da renda atual o consumo teve uma pequena queda como resultado da junção destes fatores.
O Nível de Consumo Atual
O nível atual de consumo como se observa na comparação com maio e junho, talvez por conta das perspectivas ainda muito otimistas, continuou subindo e mantendo a tendência de alta observada nos últimos meses. A variação positiva de 1,05 no consumo das famílias continua a se apoiar no corte de renda de mais de dez salários mínimos, porém, entre junho e julho houve uma queda de 154,5 para 128 pontos no subitem demonstrando que o aperto monetário com as taxas de juros mais elevadas começou de fato a influir no consumo muito mais na percepção da classe de renda mais elevada que demonstra maior cautela na busca de empréstimos. O leve aumento do consumo, portanto, deve ser creditado ao estrato com renda abaixo de 10 salários mínimos que, no subitem, aumentou o seu consumo atual de 112,3 para 114,7 pontos entre junho e julho. De modo que o indicador do ICF continuou tendo um leve aumento motivado ainda pela percepção de que há segurança no emprego e no bom momento que Porto Velho e Rondônia que resultam no otimismo das famílias que parecem dispostas a continuar a consumir embora com mais cautela.
Perspectiva de consumo e momento para duráveis
O subitem perspectiva de consumo que, em junho, foi de 164,5 pontos, teve uma queda de -4,1% para os 155,3 pontos de julho. Porto Velho ainda apresenta uma perspectiva de crescimento do consumo muito forte e bem acima da nacional. Isto se deve, em grande parte, à percepção de 72,9% das famílias que sua renda é maior hoje do que no mesmo período do ano passado. Apesar do aumento do consumo atual a cautela das famílias se revela no fato de que houve uma queda sensível da percepção de que o momento favorável à aquisição de bens duráveis de 161 pontos, em junho, para os 154,4 de julho. Isto também reflete à percepção do maior custo e da maior dificuldade de acesso ao crédito embora os níveis de expansão da renda e do emprego indiquem uma perspectiva futura de que ainda que venha a cair o consumo será muito pequena a depender das políticas nacionais que venham, ou não, a estimular o aquecimento da economia.
Sobre o ICF
Em conjunto com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO, realizou a Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias de Porto Velho (ICF-Rondônia) relativa ao mês de maio que tem como objetivo antecipar o potencial das vendas do comércio. Os resultados do ICF são avaliados sob dois ângulos. O primeiro é o grau de satisfação e insatisfação dos consumidores. O índice abaixo de 100 pontos indica uma percepção de insatisfação, enquanto acima de 100 (com limite de 200 pontos) indica o grau de satisfação em termos de seu emprego, renda e capacidade de consumo. O segundo ângulo é o da tendência do grau de satisfação e insatisfação, por meio das variações mensais do ICF total. O ICF é composto por sete itens. Quatro deles – emprego atual, renda atual, compra a prazo e nível de consumo atual - comparam a expectativa do consumidor em relação a igual período do ano passado. Os demais itens referem-se a perspectivas de melhoria profissional para os próximos seis meses, expectativas de consumo para os próximos três meses e avaliação do momento atual quanto à aquisição de bens duráveis. As informações são obtidas a partir de 500 questionários aplicados em Porto Velho.
Fonte: CNC/Fecomércio/RO