O quadro da desigualdade social no Brasil, retratado no estudo divulgado nesta sexta-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), mostra a necessidade de manutenção de políticas de transferência de renda e, ao mesmo tempo, de reforma no sistema tributário para diminuir as diferenças entre os muito ricos e os muito pobres do país. De acordo com diretora de Avaliação e Gestão da Informação do Ministério do Desenvolvimento Social, Júnia Quiroga, as estratégias de transferência de renda, entre elas o Bolsa Família, têm mostrado bons resultados nos últimos anos no combate à pobreza e precisam ser fortalecidas e direcionadas para atender grupos mais vulneráveis à desigualdade social. "A renda é a dimensão que mais carrega a desigualdade no país. Mas entre os desafios está a necessidade de estimular políticas para grupos específicos, como indígenas, mulheres e afrodescendentes", avaliou.
Para o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jorge Abrahão, para além da transferência de renda (o que inclui os repasses feitos pela Previdência Social), a redução da desigualdade no Brasil esbarra na questão tributária. "É preciso fazer mudanças significativas no sistema tributário para que se retire mais dos ricos do que dos pobres e garantir um sistema de gastos públicos, que consiga transferir recursos para os mais pobre"", apontou.
Fonte: IPEA