Durante o seminário Crescimento Econômico e Justiça Social, a economista Beatriz David, da Uerj, afirmou que está em curso no Brasil uma modesta distribuição de renda, à custa da classe média. "As melhoras recentes no quadro social estão associadas ao aumento do salário mínimo, à distribuição de renda entre trabalhadores e à sobrevalorização cambial", listou, apontando uma perda de participação da classe média na população economicamente ativa (PEA). "A faixa entre 10 e 20 mínimos caiu de 2,45%, em 2004, para 1,59%, em 2008. Já os que recebem acima de 20 mínimos, em 2004 representavam 1,13% da PEA e, em 2008, eram 0,59%", disse, frisando que o padrão de crescimento no país é concentrador da renda. "Existe tendência à concentração até nos aumentos reais do salário mínimo, pois, desde 1997, a pobreza caiu 36%, enquanto o mínimo teve ganho real de 66%".
Por sua vez, José Carlos de Assis, assessor da presidência do BNDES, lamentou a degradação da social-democracia européia. "O Brasil nunca conseguiu reproduzir o Estado de bem estar social europeu. E agora a própria Europa está retrocedendo", disse, explicitando a "profecia auto-realizável" das agências de risco que, o gasto público de US$ 1 trilhão para salvar o sistema financeiro recomendaram à União Européia a adoção de medidas de arrocho fiscal, típicas do FMI. Ainda sobre a atuação do Estado, Rudá Ricci, diretor geral do Instituto Cultiva, afirmou que houve retrocesso nas políticas públicas na área de Educação desde a Constituição de 1988.
"Hoje há queda nos índices de matrícula em todos os níveis, em especial o médio", disse. Para ele, o ensino médio tornou-se apenas uma ponte para a universidade. "Avançamos um pouco na redução da desigualdade, mas ainda estamos longe do ideal. Falta coordenação entre as diferentes esferas de governo, superar a pobreza extrema e garantir ambiente político propício através de uma reforma política", arrematou Francisco Menezes, do Ibase.
Fonte: Monitor Comercial