"É apenas uma maneira de justificar o injustificável". O comentário é do economista Paulo Passarinho, conselheiro do Corecon-RJ, sobre afirmação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, para quem o déficit recorde em 63 anos nas contas externas (US$ 5,180, em junho, e US$ 23 bilhões no primeiro semestre) é apenas "o preço do sucesso". Mantega atribuiu o déficit ao aumento maior das importações, decorrente de um crescimento mais forte da economia brasileira. Para ele, essa é a primeira explicação para o resultado. Ele destacou que o aumento da renda faz com que mais brasileiros viagem ao exterior, expandindo o resultado negativo da conta dos serviços com viagens. . "Para não haver déficit o Brasil não poderia crescer 7%, mas apenas 2%", afirmou o ministro.
Passarinho, no entanto, frisou que o resultado se deve à aposta do Brasil no crescimento dependente da absorção de poupança e tecnologia estrangeiras. "Para contornar os déficits de hoje, o país investe na continuidade da desnacionalização, aceitando investimento estrangeiro em empresas que futuramente irão remeter lucros e dividendos, agravando a situação", criticou, acrescentando que a outra alternativa ao investimento estrangeiro direto (IED), é a atração de capital especulativo, através de juros altos e sobrevalorização cambial, para bolsa e títulos públicos. "Antes do atual governo, os estrangeiros detinham pouco menos de 1% dos títulos da dívida interna. Atualmente, este percentual se aproxima de 10%", contabiliza Passarinho. Para o conselheiro do Corecon-RJ, Mantega é um representante do segmento de economistas "que aderiu ao projeto dos bancos". Já Mantega garante que a situação deve se inverter em 2012. Segundo o ministro, o déficit em conta corrente deve fechar o ano de 2010 entre US$ 45 bilhões e US$ 48 bilhões, o equivalente a 2,33% do PIB.
Fonte: Corecon-RJ